sábado, 16 de junho de 2012

Oficina mecânica em SP defende meio ambiente e aumenta lucro


Após investimento, faturamento chega a R$ 52 mil por mês. Sebrae divulga a importância da sustentabilidade para pequenos negócios

Uma oficina mecânica, na Grande São Paulo, se transformou numa defensora do meio ambiente. O empresário investiu em organização e melhoria no ambiente de trabalho. O resultado chegou rápido: a clientela cresceu e os lucros aumentaram.

Sustentabilidade é um tema presente em todos os segmentos da sociedade. Empresas e entidades buscam caminhos para tornar mais saudáveis, uma cidade, um país e um planeta.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio de programas e palestras, divulga a importância do assunto para as micro, pequenas e médias empresas.

“O Sebrae quer fazer esse debate com a nossa clientela, com nossas milhões de micro e pequenas empresas para que eles coloquem na sua agenda no trabalho cotidiano esse tema. (...) Sustentabilidade também é importante naquilo que a gente chama de inovação. Aumentar a produtividade, melhorar a eficiência energética, acondicionamento de resíduos sólidos, como que a gente faz aí os nossos negócios sustentáveis”, afirma Luíz Barreto, presidente do Sebrae. 

E tem empresas que já puseram essas ações em prática. Uma oficina, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. As paredes sujas e mecânicos cheios de graxas são coisas do passado. Tudo ficou bem limpinho e muito bem cuidado.

O empresário Francisco Severiano Alves é mecânico há 20 anos. Ele planejou, reformou e organizou a oficina. A ideia era melhorar o ambiente de trabalho e diminuir os gastos com manutenção. E deu certo. Há 8 anos o lucro só aumenta.

A primeira ideia do empresário na oficina foi utilizar telhas translúcidas, para ter mais claridade. A economia na conta de luz foi imediata. Francisco pagava, em média, R$ 220 mensais. Hoje o valor não passa dos R$ 120 por mês.

A oficina tem cerca de 220 metros quadrados de área. Antes ele deixava a luz acessa durante 8 horas do dia. Agora ele praticamente não usa.

O empresário foi ainda mais longe. Descobriu que podia economizar também com a água. Um pequeno reservatório capta e armazena a água da chuva. “Quando chove, vai para a calha. Tem duas tubulações que cai para a caixa d´água. A caixa, quando enche, tem mil litros, quando enche a gente joga para a cisterna e faz com que eu reutilize a água da chuva. Tanto para lavar peça como para lavar a oficina”, explica.

Francisco participou de diversos cursos do Sebrae, entre eles o Sebraetec, que é um programa que apoia as empresas com soluções de inovação e tecnologia. O empresário adquiriu novos conhecimentos e passou então a implantar outras melhorias na oficina.

Agora, as peças ficam organizadas e todo fluxo de caixa é controlado. As capacitações renderam outras ideias para o empresário. As peças de descarte e o óleo usado são vendidos para uma usina de reciclagem. Tudo o que é arrecadado é reinvestido em equipamentos para a oficina.

O óleo separado fica em uma caneleta. Ele é retirado e colocado em tonéis. O conteúdo é vendido para uma empresa coletora, que paga R$ 0,30 por litro. O empresário ganha cerca de R$ 300 por mês só com a venda do óleo. “O destino dele é para uma refinaria. Onde vai tirar as impurezas dele e voltar como lubrificante, novamente para ser usado”, explica José Luíz Altafi, coletor de óleo.

Além disso, os papelões e os plásticos de produtos usados na oficina não vão para o lixo. Eles são separados em caçambas. O conteúdo é levado pelos próprios funcionários para uma coletora próxima da oficina. Ele é pesado e comprado a R$ 0,15 o quilo. “Além de a gente ajudar o meio ambiente, a gente leva para oficina e a metade desse dinheiro é separado para a gente, para os funcionários e para comprar ferramenta para a oficina”, diz Daniel Clemente Mota de Souza, mecânico.

O empresário investiu, há oito anos, R$ 25 mil na oficina e hoje, depois de tudo implantado, o faturamento chega a R$ 52 mil por mês. Além dos prêmios conquistados, o lucro da oficina aumentou. Resultado: planejamento aliado à ajuda ao meio ambiente só traz benefícios a todos.

“Do ponto de vista do Sebrae, que trata com empresários, com empresas o que a gente quer é quais as potencialidades de ganho, aumentar a produtividade, aumentar eficiência, melhorar a nossa relação com os nossos concorrentes externos. Portanto, é isso mesmo. Identificar nossos nichos de mercado para que a gente aumente a capacidade e os mercados para as pequenas empresas”, diz Luíz Barreto.

por PEGN TV (www.g1.globo.com)

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